Google

Notícias do Diário

Loading...

AUTISMO

Loading...
Loading...
Loading...

sexta-feira, 4 de março de 2011





























SEMINÁRIO "DA INFÂNCIA À VELHICE - POLÍTICAS, ESPAÇOS PÚBLICOS E MOVIMENTOS SOCIAIS"
VIII Encontro Fluminense de Envelhecimento e Cidadania
II Jornada de Educação Infantil

Período: 28 a 31 de março/2011
Local: UFF- Universidade Federal Fluminense
Escola de Serviço Social - Auditório – 405 / 4º andar


APRESENTAÇÃO:

O Seminário intitulado “Da Infância à Velhice: Políticas, Espaços Públicos e Movimentos Sociais, pretende promover debates, reflexões e propostas em torno dos seguintes temas: gerações, direitos, movimentos sociais, espaços públicos e políticas para todas as idades.
Congregará temáticas que englobem o Envelhecimento e a Infância e sua articulação com outros segmentos. Buscará ampliar a reflexão na área da interdisciplinaridade, intergeracionalidade e intersetorialidade, na perspectiva da efetivação de políticas públicas, organização social e movimentos sociais na construção de direitos numa dimensão emancipatória de cidadania.
Participarão do evento representantes e integrantes de movimentos sociais, espaços públicos (Conselhos e Fóruns), pesquisadores, estudantes e responsáveis por programas e práticas sociais. O objetivo do seminário é construir um espaço de articulação das lutas e dos movimentos sociais para o enfrentamento dos desafios conjunturais no campo das conquistas e efetivação dos direitos.
O evento está sendo promovido pelo NUPPESS/UFF em articulação com o Fórum Permanente da Política Nacional e Estadual do Idoso do Rio de Janeiro e ANG-RJ e o Fórum Permanente de Educação Infantil do Rio de Janeiro. Constitui parte de Projetos de Pesquisa e Extensão do NUPPESS apoiados pela FAPERJ, CNPq e UFF.

PROGRAMAÇÃO:

Dia 28/03
18h Auditório da Educação
Conferência de Abertura
Palestrante: Desembargadora Salete Maccalóz
Coordenação: Prof. Dr. Serafim Paz (UFF)

Dia 29/03
Escola de Serviço Social
10h – 4º andar
Exposição de Pôsteres
14h – 4º andar
Mesa Redonda: Direitos Humanos, Infância e Velhice
Palestrantes: Promotora Cristiane Branquinho (MP) e Renata Cavalcanti (MP)
Coordenação: Profª Drª Deise Nunes (UFF)
18h – 4º andar
Mesa Redonda: Movimentos Sociais, Espaços Públicos e Políticas Públicas
Palestrantes: Profª Drª Maria Inês Bravo (UERJ) e Prof Dr Giovanni Semeraro (UFF)

Dia 30/03
Escola de Serviço Social
09h – 4º andar
Mini-Cursos
Pré inscrição por e-mail (escolher apenas um mini-curso)
Confirmação de inscrição do mini-curso (até meia hora antes de seu início)

1.
Violência contra Crianças – Profª Drª Nívea Barros (UFF) (INSCRIÇÕES ENCERRADAS!)
2.
Violência contra a pessoa Idosa – Profª Drª Sara Nigri (UFRJ)
3.
Feminilização da Velhice – Profª Drª Ártemis Marinho (UFF)
4.
Ética e Relações Humanas – Profª. Drª. Valéria Forti (UERJ)
5.
Movimentos Sociais na Conjuntura Brasileira – Profª Drª Sônia Lúcio (UFF)
6.
Cuidadores de Idosos – Terezinha Martinez (Furnas)
7.
Serviço Social e Educação Infantil – Ivony Souza (Creche Fio Cruz)
8. Cinema e Direitos Humanos - Daniel Nunes Guimarães Paes (Sociedade Brasileira de Pediatria)

14h – 4º andar
Mesa Redonda: O papel dos Fóruns no Controle Social sobre Políticas Públicas
Palestrantes: Maria José Ponciano (Fórum Nacional do Idoso), Jailton Thuller (Fórum PNEIRJ), Valmir Klemann (MIEIB), Maria Luzinete Moreira (Fórum Permanente de Educação Infantil RJ) e Representante do Fórum de Saúde RJ (a confirmar).
Coordenação: A.S. Vicência (Arte Creche)
18h – 4º andar
Mesa Redonda: Pesquisas no campo da Infância e Velhice
Palestrantes: Profª Drª Deise Nunes, Prof. Dr. Serafim Paz (UFF), Prof. Dr. Edmundo Drummond (UFF), Profª Drª Beatriz Venâncio (UFF), Profª Drª Nívea Barros (UFF) e Prof. Rodrigo Lima (UFF)

Dia 31/03
Escola de Serviço Social
14h – 4º andar
Mesa Redonda: Formação e Profissionalização de Cuidadores de Idosos e Educadores Infantis
Palestrantes: Profª Lígia Aquino (UERJ) e Profª Drª Sara Nigri (UFRJ)
Coordenação: Delfina Simões (Pres. ANG - RJ)
18h – 4º andar
Mesa Redonda: Direito, Cidadania e Movimentos Sociais no Debate Contemporâneo
Palestrante: Prof. Dr. Haroldo Abreu (UFF) e Profª. Drª. Ana Quiroga (PUC-RIO)



INSCRIÇÕES:

Participantes:

Ficha de inscrição disponível no site www.nuppess.uff.br, através do link abaixo:
Inscrições Participantes

enviar para o e-mail:
infanciaeenvelhecimento@yahoo.com.br


Apresentação de Trabalhos:

Somente na modalidade pôster

Normas para envio de trabalho disponível no site www.nuppess.uff.br, através do link abaixo:

Inscrições de Trabalhos

Não haverá inscrições durante o evento!

Serão conferidos certificados

Organização - Parceria - Apoio


Comissão Organizadora




Sugestões de Hotéis de Niterói Próximos a UFF




Hotel Cantareira

Rua general Osório, 62 – São Domingos – Niterói – RJ

Tel: (21) 3604- 1681

______________________________________________________________________



Niterói Plaza Hotel

Rua Andrade Neves, 118 - Centro - Niterói - RJ

Tel: (21) 2620-8008



______________________________________________________________________



Viareggio Hotel

Rua Paulo Alves, 77 Ingá – Niterói Tel:

Tel: (21) 2719-4434



______________________________________________________________________



Albergue Luz Solar

Rua Alexandre Moura, 41, São Domingues – Niterói RJ

Tel: (21) 3617-6287



______________________________________________________________________



Hotel Fagundes Varela

Rua Fagundes Varela, 484 – Ingá - Niterói – RJ

Tel: (21) 2719-2645



______________________________________________________________________



Hotel Village Icaraí

Rua Mariz e Barros, 97 - Icaraí - Niterói – RJ

Tel: (21) 3681-0632



______________________________________________________________________



Hotel Niterói Palace

Rua Andrade Neves, 134 – Centro - Niterói – RJ

Tel: (21) 3681-0815

Atendimento: (21) 3681-0632 ou (

quarta-feira, 3 de junho de 2009

AUTISMO - UNIVERSO PARTICULAR



Universo particular

FONTE DA FOTO: ESPECIAL AUTISTA





FONTE: ZERO HORA

Aos seis anos de idade, Felipe rezava:– Papai do Céu, muito obrigado pelo dia de hoje e me ajude a falar ‘mamãe’.A segunda parte da oração foi acrescentada pela mãe dele, Deusina Lopes da Cruz, como uma estratégia para fazê-lo dizer a palavra mamãe. Oração memorizada, foi só Deusina escrever o próprio nome em um papel e colá-lo na roupa. Pronto, Felipe poderia associar o nome à pessoa.Até o diagnóstico, Deusina nunca tinha ouvido falar em autismo. Frente ao desconhecido, buscou informação, criou estratégias para se comunicar com o garoto, lutou pela integração na escola e pela alfabetização. Tudo corria bem até a adolescência.Apesar de ter inteligência preservada e um bom nível de independência, ele começou a mudar. Reagia mal às frustrações, ficou agressivo e desenvolveu uma psicose.Apartada do filho, Deusina reuniu os cacos, rememorou histórias e escreveu o livro Um autista muito especial, lançado em 2006, para aliviar o dilema.Luta e superação são comuns no percurso de pais e mães que vivem em contínuo aprendizado com os filhos autistas. Nesse universo particular, o cérebro processa as informações de forma desintegrada e, para organizar o caos, o autista passa a buscar estabilidade, ordem, rotina. Costuma desenvolver comportamentos estereotipados e tem dificuldade para se comunicar.Não é um caminho suave. A cada fase começa um novo desafio. Na infância, após o diagnóstico, os pais buscam compreender limites: que barulho o incomoda, qual a melhor forma de comunicação. Na adolescência, a turbulência hormonal acrescenta variáveis à intrincada síndrome. Na fase adulta, com o envelhecimento dos pais, o futuro se ergue como um enigma.Ávidos por informação, dedicados a criar formas de interação e obstinados pela conquista da felicidade dos filhos, os pais seguem como responsáveis por uma jornada que só pode ser resumida em uma palavra: amor.Correio Braziliense



Desafio em todas as etapas




Professora da Universidade de Brasília (UnB) e doutora em psicologia clínica, Maria Izabel Tafuri coordena um projeto de inclusão e tratamento de crianças autistas. Ela publicou o livro Dos sons à palavra: explorações sobre o tratamento psicanalítico da criança autista e deu algumas dicas sobre a síndrome.

1) Quando receber o diagnóstico procure informações com o maior número possível de profissionais e não fique fechada dentro de casa com medo de enfrentar o problema. Quanto mais cedo começa o tratamento, maiores as chances de a criança encontrar um bom desenvolvimento.
Cada criança, dependendo da forma como os sintomas surgiram, desenvolve diferentes formas de autismo. Há casos, mais raros, em que os sintomas surgem desde os primeiros meses de nascimento. Nos casos mais graves, há isolamento social. O número maior de crianças autistas são aquelas que demonstram os sintomas depois do primeiro ano e meio de vida. São crianças que aparentemente tiveram um desenvolvimento normal e deixam de falar, tornam-se isoladas e começam a apresentar comportamentos estereotipados.
2) O tratamento deve ser multidisciplinar, com terapias de estimulação precoce, fonoaudiologia, psicomotricidade e psicoterapia. A avaliação médica deve ser realizada e a medicação usada para minimizar os sintomas, principalmente quando a criança apresenta doenças neurológicas associadas ao quadro de autismo ou quando são muito hiperativas, autoagressivas, entre outras.
3) Só em casos muito graves de agitação intensa e autoagressividade é necessário internação.

4) A integração escolar é uma das possibilidades possíveis de inclusão da criança autista na sociedade. O processo de inclusão é realizado com a ajuda do acompanhante terapêutico, que é mais uma modalidade de tratamento para as crianças autistas.
Síndrome que reúne um conjunto de sintomas variados causados por doenças diferentes, o autismo pode ser de origem genética, infecciosa ou consequência de algum traumatismo. Cerca de 70% dos autistas também têm retardo mental associado. A proporção da incidência do é de quatro meninos para uma menina.

Essa multiplicidade de faces faz com que cada autista seja único. Não há fórmulas prontas para o tratamento e cada família encontra caminhos e estratégias para alcançar o desenvolvimento e a integração do autista.
Um dos primeiros desafios das famílias é o diagnóstico. Muitos pais passam por uma peregrinação por neurologistas, psicólogos e psiquiatras até que a síndrome seja constatada.

domingo, 10 de maio de 2009

A nova pedagogia da hegemonia: estratégias do capital para educar o consenso


Georgia Sobreira dos Santos Cêa - Fevereiro 2006


NEVES, Lúcia Maria Wanderley (Org.). A nova pedagogia da hegemonia: estratégias do capital para educar o consenso. São Paulo: Xamã, 2005. 311p.

Os autores deste A nova pedagogia da hegemonia conseguem, com clareza, consistência teórico-metodológica e rigor científico, realizar o que pretendem. De fato, conforme anunciam na introdução da obra (p. 39), os autores identificam e desvelam o processo de redefinição dos fundamentos e das práticas do Estado brasileiro no sentido da consolidação e do aprofundamento do projeto burguês para a atualidade. E o fazem evidenciando o pensamento e algumas importantes práticas pedagógicas constitutivas da mais atual corrente da pedagogia da hegemonia representada pela Terceira Via, num processo em que o Estado ampliado se requalifica historicamente como agente educador.

Mas, para além desse mérito acadêmico, o livro tem um efeito mobilizador, uma vez que o leitor acaba sendo levado a localizar-se nas tramas e nos dramas que envolvem a educação para o consenso liderada pelas forças econômico-políticas do capital: ou perde-se a ingenuidade teórico-analítica, ou esvai-se o eufemismo barato dos adeptos da nova pedagogia da hegemonia, ou encoraja-se para a ação coletiva contra-hegemônica. Ao término da leitura, ainda, alguns menos reflexivos poderão cobrar a falta de uma apresentação formal de considerações sintetizadoras e/ou conclusivas do livro; elas são absolutamente dispensáveis diante da organicidade e coerência da obra e parece que, de propósito, os autores abriram mão dessa prerrogativa. Ainda assim o livro continua sendo uma instigante provocação.

Para os que acompanham a trajetória teórico-prática do Coletivo de Estudos de Política Educacional [1], a leitura de A nova pedagogia da hegemonia evidencia que essa é a mais gramsciana de suas produções. As contribuições do pensador italiano, assumidamente o principal referencial teórico adotado para o exercício crítico que operam (p. 15), são apropriadas de forma segura, competente, original e responsável pelos autores A. de Melo, Algebaile, Falleiros, Lima, M. de Melo, Martins, Santa'Anna, Tomaz e Neves. Esta última, mais que organizadora do livro, explicita, novamente, a raríssima capacidade de produzir conhecimento de forma coletiva e solidária. Embora abordem distintas dimensões do estudo dividindo didaticamente os temas analisados, esses autores conseguem fazê-lo de forma orgânica, coerente e articulada: ao longo de todo o livro ganha vida o debate – ora mais explicitamente, ora mais sutilmente – entre a essência conservadora do capitalismo e a necessidade de superação dessa forma de organização social fundada na exploração, expropriação e dominação de uns homens sobre outros. O referencial gramsciano, mais que um anúncio, é o que dá movimento às análises expostas no livro. É a partir e por meio desse referencial, principalmente, que os autores tornam inteligíveis as múltiplas intenções e ações resultantes do movimento do capitalismo em curso, no sentido de manter a dominação do capital sobre o trabalho, tendo o Estado ampliado como eficiente sujeito histórico (con)formador: eis o sentido último da nova pedagogia da hegemonia.

O livro apresenta, numa esclarecedora introdução, o movimento em curso da recomposição do bloco histórico capitalista na busca pela manutenção e fortalecimento de sua hegemonia. Os autores apropriam-se e sustentam a tese de que estamos a viver, no Brasil, um processo de ocidentalização, a partir do aprimoramento da politização da sociedade civil, de modo que depuradas formas de combinação entre o consenso e a coerção vêm proporcionando às classes dominantes tornarem-se, também, dirigentes.

A apresentação das condições de recomposição do bloco histórico capitalista e de sua expressão no Brasil é feita a partir de um invejável domínio teórico-conceitual da noção gramsciana de Estado ampliado: menos que uma definição, o Estado ampliado pulsa como uma categoria analítica e metodológica, no sentido exato requerido pelo materialismo histórico. Assim, é possível compreender que, apesar das críticas lançadas pelo governo Lula da Silva aos seus antecessores (em especial o governo FCH), há entre eles elos estruturais de continuidade. Isso porque o livro nos mostra que o remédio amargo do neoliberalismo receitado por Hayek e a crença na possibilidade de um mundo em tons róseos postulada pela Terceira Via defendida nas obras de Giddens são momentos de um mesmo processo. A renovação do projeto de sociabilidade burguesa exigida pela crise estrutural agravada a partir dos anos 70 está ainda em curso. Assim, a tentativa da Terceira Via de apresentar-se como a superação dialética tanto do projeto liberal como do projeto socialista está historicamente impedida; ela representa, de fato, uma densa ideologia burguesa, mas que nem por isso se torna insofismável.

A introdução de A nova pedagogia da hegemonia lança luz sobre os demais capítulos do livro, nos quais são expostas mediações teóricas que trazem à tona determinações essenciais da nova pedagogia da hegemonia.

Numa primeira parte, a Terceira Via é apresentada e identificada como a mais significativa síntese do capitalismo atual, movida e orientada para conferir legitimidade e dar sustentação às “estratégias burguesas para obtenção do consenso em nível mundial” (p. 66). Essa síntese, constitutiva do novo bloco histórico moldado a partir da hipertrofia da especulação financeira no processo de reprodução ampliada do capital, tem as agências e os organismos internacionais como seus principais tutores. Para esses sujeitos políticos coletivos, a perda de espaço do capital produtivo naquele processo de reprodução é interpretada como um anúncio definitivo do fim das relações contraditórias entre capital e trabalho. Assim, a ocorrência de desigualdades passa a ser justificada pelo crescimento da importância, no novo projeto de sociabilidade burguesa, de aspectos subjetivos, valorativos, como bem exemplificam as noções ideológicas de capital social, empreendedorismo, responsabilidade social, etc., que atomizam e despolitizam as relações sociais e se traduzem na simplista chave interpretativa segundo a qual, “se na população está a causa dos problemas, na população também poderiam estar suas soluções” (p. 80).

Esse deslocamento ideológico do neoliberalismo da Terceira Via (da totalidade social para as particularidades) tem uma significativa força operativa, analisada e discutida pelos autores a partir da compreensão que a repolitização das relações de produção “está se consolidando também por meio das redefinições da relação entre sociedade política e sociedade civil” (p. 89). Nesse movimento, ganha força a clássica interpretação liberal de que a sociedade civil é o espaço do mercado, das relações de interesse entre sujeitos individuais, enquanto o Estado, no seu sentido estrito, reserva espaço à política, à administração comum dos diferentes interesses, à garantia das propriedades. Para amenizar as possíveis e naturais tensões entre a busca do lucro típica da sociedade civil e o necessário caráter autoritário do Estado, o terceiro setor é aclamado como o espaço próprio do interesse público, das necessidades sociais, da conciliação e do encontro. O neoliberalismo da Terceira Via desconsidera que esse suposto “espaço público” pode ser exatamente “o local da legitimação, da propagação dos ideais, valores e concepções do bloco no poder” (p. 183). Na segunda parte do livro os autores mostram como esse processo vem se efetivando no Brasil, a partir da reforma gerencial do Estado brasileiro iniciada nos anos 90 e a partir de significativas “metamorfoses” experimentadas pelos aparelhos privados de hegemonia, no âmbito da sociedade civil. Nessa parte merecem destaque, ainda: a elucidação do caráter ideológico da noção de “responsabilidade social empresarial” divulgada por antigas e recentes entidades patronais, do Senai ao Instituto Ethos, respectivamente (p. 151) e o mapeamento dos mecanismos regulatórios decorrentes da reforma gerencial do Estado brasileiro, resultantes da hegemonia exercida pelo projeto burguês em curso e que têm resultado, na prática, na legitimação da transferência de recursos públicos para o setor privado e na precarização das condições de trabalho dos “colaboradores” do terceiro setor (p. 192-206).

Na terceira e última parte do livro são apresentadas algumas experiências concretas em curso no Brasil que mostram as diferentes estratégias do capital constitutivas da nova pedagogia da hegemonia. Aqui os autores evidenciam as marcas do neoliberalismo da Terceira Via presentes em diferentes ações: elucidam o sentido histórico dos apelos à mudança curricular contidos dos Parâmetros Curriculares Nacionais (p. 209-235); mostram os riscos do exercício da “responsabilidade social empresarial” aplicada ao ensino público, especialmente em função da transferência para esse espaço de valores e de práticas privadas (p. 238-254); evidenciam a habilidade política da Igreja Católica para garantir, ao mesmo tempo, seu espaço como representante do consenso neoliberal renovado pela Terceira Via e permanecer se apresentando como uma instituição a favor dos “excluídos” (p. 255-270); explicitam, por fim, que hábeis estratégias de desobrigação do Estado com o financiamento e a execução das políticas sociais e de legitimação e legalização da transferência de recursos e de papéis do Estado estrito senso para a sociedade civil vêm sendo implementadas em diversos setores, incluindo aqueles outrora reivindicados pelas classes populares, como é o caso das políticas de lazer.

A leitura de A nova pedagogia da hegemonia nos faz lembrar, além dos estudos políticos de Gramsci, uma das reflexões expostas por esse pensador italiano nos escritos sobre ciência e método contidos no Caderno 11: os autores do livro em questão conseguem distanciar-se do senso comum que prevalece em muitas críticas lançadas contra o neoliberalismo exatamente porque buscam entender os fundamentos e as razões do principal adversário histórico dos sujeitos políticos coletivos propositores da sociedade socialista, sem partirem do pressuposto de que a Terceira Via se justifica de forma simplista, fácil, superficial ou medíocre. Ao contrário, enfrentando o adversário teórico mais forte, os autores permitem compreender que o caráter sedutor e fantasmagórico da ideologia burguesa renovada tem origem no justo entendimento dessa classe de que a agudização da condição de barbárie social se manifesta na razão direta de potenciais espaços e práticas contra-hegemônicos. É isso, em última instância, que o neoliberalismo da Terceira Via quer evitar.

Em A nova pedagogia da hegemonia não são encontradas propostas de como elaborar teorias e ações contra-hegemônicas. Essa, talvez, possa ser uma (luxuosa e excêntrica) cobrança a ser feita ao livro. Mas os autores do livro fazem o principal: elucidam as condições históricas que têm promovido tanto o avanço da consciência política da classe capitalista para o nível ético-político, fortalecendo seu projeto hegemônico, como o retrocesso da classe trabalhadora para um nível de consciência política econômico-corporativa. Mais ainda, os autores de A nova pedagogia da hegemonia desnaturalizam, com êxito, a idéia – difundida inclusive por muitos (supostos) aparelhos contra-hegemônicos – de que há conciliação possível entre exploração material e emancipação humana.

----------

Georgia Sobreira dos Santos Cêa é doutora em Educação, professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná e integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho, Estado, Sociedade e Educação (GP-TESE).

----------

[1] O Coletivo de Estudos de Política Educacional está institucionalmente vinculado à Universidade Federal Fluminense (UFF) e à Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz. Sob a coordenação de Lúcia Maria Wanderley Neves, o Coletivo já publicou as seguintes obras: Política educacional nos anos 90: determinantes e propostas (Ed. da UFPE, 1995); Educação e política no limiar do século XXI (Autores Associados, 2000); O empresariamento da educação: novos contornos do ensino superior no Brasil dos anos 90 (Xamã, 2002); Reforma universitária do governo Lula: reflexões para o debate (Xamã, 2004).


Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

sábado, 9 de maio de 2009

Informações do Município de Niterói - Infância

Informações do Município de Niterói
Secretaria Municipal de Assistência Social - SMAS
Rua Cel. Gomes Machado, 281, Centro, Niterói - Tel: 21.2620.5910

Secretaria Municipal de Saúde SMS / Fundação Municipal de Saúde - FMS
Rua Visconde de Sepetiba, 987, 8o andar, Centro, Niterói - Telefone: 21.2716.5807

Secretaria Municipal de Educação - SME / Fundação Municipal de Educação - FME
Rua Visconde de Uruguai, 414, Centro, Niterói - Tel: 21.2620.2266

Juizado da Iinfâcia e Juventude
Rua Visconde de Sepetiba, 519, 2o andar, Centro, Niterói - Tel: 21.2717.1423

Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente - CMDCA
Av. Ernani do Amaral Peixoto, 116, 4o andar, Centro, Niterói - Tel: 21.2620.1793

Conselho Municipal de Assistência Social - CMAS
Av. Ernani do Amaral Peixoto, 116, 4o andar, Centro, Niterói - Tel: 21.2620.1793

Conselhos Tutelares de Niterói
I Conselho Tutelar
Rua Cel. Gomes Machado, 257, Centro, Niterói - Tel: 21.2717.4555
II Conselho Tutelar
Estrada Caetano Monteiro, 820, Badú, Pendotiba, Niterói - Tel: 21.2718.2205

Promotoria da Infância e Juventude
Rua Visconde de Sepetiba, 519, 4o andar, Centro, Niterói - Tel: 21.2717-1423 / 21.2729.1881

Programa 'Adoção Para Todos'
Av. Ernani do Amaral Peixoto, 116, 4o andar, Centro, Niterói - Tel: 21.2613.5951

quinta-feira, 9 de abril de 2009

AUTISMO


Autismo



Foi descrito pela primeira vez em 1943, pelo médico austríaco Leo Kanner, trabalhando no Johns Hopkins Hospital, em seu artigo Autistic disturbance of affective contact, na revista "Nervous Child", vol. 2, p. 217-250. No mesmo ano, o também austríaco Hans Asperger descreveu, em sua tese de doutorado, a psicopatia autista da infância. Embora ambos fossem austríacos, devido à Segunda Guerra Mundial, não se conheciam . A palavra "autismo" foi cunhada por Eugene Bleuler, em 1911, para descrever um sintoma da esquizofrenia, que definiu como sendo uma "fuga da realidade". Kanner e Asperger usaram a palavra para dar nome aos sintomas que observavam em seus pacientes. O trabalho de Asperger só veio a se tornar conhecido nos anos 1970, quando a médica inglesa Lorna Wing traduziu seu trabalho para o inglês. Foi a partir daí que um tipo de autismo de alto desempenho passou a ser denominado síndrome de Asperger. Nos anos 1950 e 1960, o psicólogo Bruno Bettelheim afirmou que a causa do autismo seria a indiferença da mãe, que denominou de "mãe-geladeira'". Nos anos 1970 essa teoria foi rejeitada e passou-se a pesquisar as causas do autismo. Hoje, acredita-se que o autismo esteja ligado a causas genéticas associadas a causas ambientais. Dentre possíveis causas ambientais, a contaminação por mercúrio tem sido apontada por militantes da causa do autismo como forte candidata, assim como problemas na gestação. Apesar do grande número de pesquisas e investigações clínicas realizadas em diferentes áreas e abordagens de trabalho, não se pode dizer que o autismo é um transtorno claramente definido. Há correntes teóricas que apontam as alterações comportamentais nos primeiros anos de vida como relevantes para definir o transtorno. Entretanto, grupos de especialistas, principalmente os que trabalham com uma abordagem psicanalítica, discordam desta concepção, por considerar impossível definir-se o que uma criança será para o resto de sua vida, a partir de dificuldades apresentadas no desenvolvimento psicoafetivo nos primeiros anos de vida de um indivíduo. Isto, entretanto, não desconsidera o fato de que, há de se cuidar destas crianças o quanto antes, inserindo-as num tratamento que leve em consideração sua subjetividade, seus afetos e sentimentos, e não apenas o aspecto comportamental. Donald Winnicott , importante pediatra e psicanalista inglês, contribui com suas formulações a partir da prática clínica, para interrogar se o autismo de fato existe enquanto quadro nosográfico. Por outro lado, quanto a isso, é preciso considerar a psicanálise e as teorias de Freud no contexto científico moderno.



Autismo mais próximo da cura


O resultado de um estudo divulgado ontem no jornal científico Pediatrics, dos Estados Unidos, traz mais luz ao tratamento do autismo e chama a atenção de pais de autistas brasileiros, que lutam contra a falta de informações a respeito da síndrome no Brasil. Os pesquisadores americanos constataram que a febre pode suspender temporariamente sintomas do autismo, principalmente em crianças. Aparentemente, durante o estado febril, ocorre a restauração de certas comunicações nervosas em determinadas regiões do cérebro autista, melhorando temporariamente a habilidade de interação e socialização.


- Os resultados desse estudo são importantes porque nos mostram que o cérebro autista é plástico, ou seja, capaz de alterar certas conexões e formar outras novas, em resposta a diferentes experiências ou condições - disse um dos autores do trabalho, o médico Andrew Zimmerman, neuropediatra do Baltimore's Kennedy Krieger Institute.

O estudo foi realizado com 30 autistas entre 2 e 18 anos de idade, observados durante estados febris de, no mínimo, 38 graus de temperatura. Mais de 80% dos autistas avaliados mostraram melhoras de comportamento - 30% com avanços significativos, como maior poder de concentração, melhora na fala e no contato visual, além de mudanças no contexto geral de relacionamento com adultos e crianças.

A equipe de Zimmerman disse que o efeito da febre já vinha sendo percebido anteriormente por pais e médicos. O presidente e chefe executivo da Sociedade de Autismo da América (ASA, em inglês), Lee Grossman, disse que também já havia reparado as alterações em seu próprio filho, hoje com 20 anos. Ele enfatizou que os autores do estudo precisam agora extender as pesquisas a respeito da febre e os efeitos que ela causa.

Zimmerman disse que, enquanto não há um tratamento definitivo para o autismo, terapias para estimular a fala e a comunicação em geral devem ser adotadas imediatamente após a descoberta dos sintomas, o que, segundo ele, "pode fazer uma diferença significativa". O médico classificou a pesquisa a respeito da febre como "um belo caminho na busca de um tratamento a fim de reconectar o cérebro autista". E ressaltou que, antes, os efeitos da febre eram creditados apenas a crianças, cujos cérebros seriam mais plásticos que os de adultos.

Pessoas com espectro autista apresentam, em níveis diferentes, vários sintomas em comum, como interação social limitada e deficiência na fala, entre outros. Cerca de 1,5 milhão de americanos têm alguma forma de autismo, de acordo com a ASA. Segundo a entidade, as causas ainda não seriam conhecidas.

Em Niterói, Região Metropolitana do Rio, um grupo de pais de autistas decidiu fundar a Associação em Defesa do Autista (Adefa) e arregaçar as mangas em busca de informações a respeito de novos tratamentos e maneiras de se lidar com a síndrome, já que, no Brasil, quase não há estudos a respeito. A iniciativa partiu da bióloga Eloah Antunes, mãe de Luan, de 5 anos, que começou a desenvolver sintomas de autismo a partir de dois anos de idade. A busca rendeu frutos. Hoje, Luan se destaca entre os autistas comuns, demonstrando maior capacidade de interação e surpreendendo os próprios médicos.

FONTE: JORNAL DO BRASIL

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

ESTUDO HABITACIONAL




O ato de morar faz parte da própria história do desenvolvimento da vida humana. Isso significa dizer que não podemos viver sem ocupar lugar no espaço. Entretanto as características desse ato mudam de acordo com cada contexto sociopolítico e econômico. Podemos dizer, então, que o ato de morar tem um conteúdo político, social, econômico e, principalmente, espacial. No contexto dessa espacialidade, podemos observar características diversas da habitação e, por conseguinte, formas espaciais diferentes, concretizando uma produção diferenciada da cidade.

Tomando por referências essas dimensões, é que produzimos este trabalho, que tem a intenção de analisar a política habitacional brasileira, desencadeada após a criação do Banco Nacional de Habitação (BNH) e do Sistema Federal de Habitação (Sefhau), em 1964, e sua importância para o processo de urbanização das cidades médias brasileiras. Partimos do pressuposto de que ela não somente se desencadeou em decorrência do déficit habitacional existente no Brasil naquele momento, mas se constituiu também numa resposta do Estado ao capital, no sentido da reprodução deste aos interesses externos – além de ter servido como instrumento de controle econômico e político, auxiliando, em certos momentos, a amenização dos conflitos pela posse do solo urbano.

Desse modo, devemos entender a política habitacional brasileira a partir de sua inserção no contexto maior do desenvolvimento econômico. Por isso não podemos efetivar uma leitura da política habitacional que emergiu, principalmente a partir dos anos 1960, no Brasil, como expressão de uma preocupação do Estado Brasileiro centrada no problema da moradia, que se agravava, tendo em vista o rápido movimento migratório que se desencadeou após 1964.

Depois da Segunda Guerra, ocorreram várias mudanças na economia mundial, a qual passou a ser comandada pelos Estados Unidos, tendo por fito a expansão da grande empresa capitalista. Assim sendo, o consumo em massa constituiu um dos vetores básicos para a reprodução do capital, apoiando-se principalmente no desenvolvimento do Welfare State, que passou a proteger o salário mínimo, o desemprego, o sistema previdenciário, o sistema de saúde, o sistema habitacional, além de outros serviços sociais.

A partir dos idos de 1960, a recessão competitiva dos países central, decorrente da crise do Fordismo, desencadeada nos países desenvolvidos, propiciou a liberação de créditos para os países em desenvolvimento investirem em infra-estrutura, modernização e indústria. Assim, emergiu uma oportunidade para esses países, uma vez que, a partir de então, ocorreu uma intensificação da internacionalização das grandes empresas transnacionais, tendo em vista a necessidade de expansão dos mercados e a procura por insumos e mão-de–obra barata. Tal processo foi denominado por Alain Lipietz de Fordismo Periférico. Ou seja, as formas de regulação até então atuantes no mundo desenvolvido passaram a fazer parte também do mundo subdesenvolvido.

Em virtude desse novo contexto, o Brasil passou a vivenciar um certo dinamismo econômico, configurando-se o que foi denominado de milagre brasileiro. Nessa fase, profundas mudanças ocorreram na sociedade como um todo e, de modo especial, na estrutura produtiva, que passou a ser guiada pela indústria, embora sob uma forte intervenção estatal, principalmente no que se refere aos setores ditos estratégicos da sociedade.

Ocorrendo de forma expressiva em nível mundial, a urbanização se acentuou ao longo do século XX, variando de intensidade e de forma de um território para o outro, em decorrência das particularidades locais.

Partindo de uma visão socioeconômica em que a cidade se constitui no locus da reprodução do capital, a urbanização passou a ser vista “como um conjunto de relações sociais, que reflete as relações estabelecidas na sociedade como totalidade” (Harvey, apud França, 1999, p. 210). A nosso ver, constituindo-se num conjunto complexo de relações sociais, esse fenômeno assume novas dinâmicas a partir dos estágios do desenvolvimento capitalista e isso configura importantes aspectos de interesse geral.

Nesse cenário é que o processo de urbanização foi desencadeado no Brasil, passando as cidades brasileiras, especialmente as grandes e médias, a requisitarem uma série de serviços e equipamentos que se colocavam na pauta de reivindicação da população, a qual deixava o campo para morar na cidade. Nesse momento já estava presente a questão do déficit de moradia.

No caso brasileiro, a urbanização “já apresentou suas primeiras manifestações nos anos que se seguia a revolução de 1930” (Schimidt Faret apud França 1998, p.1). Mas foi a partir dos anos 60 que esse fenômeno se acentuou, atingindo, de forma diferenciada, todas as regiões do país. Em 1940, a taxa de urbanização brasileira era de 26,3%; em 1980, alcança 68,86%; e em 2000, ela passou para 81,2%, o que demonstra uma verdadeira inversão quanto ao lugar de residência da população do país. Esse crescimento se mostra mais impressionante ainda se lembrarmos os números absolutos: em 1940, a população que residia nas cidades era de 18,8 milhões e, em 2000, ela chega a aproximadamente 138 milhões. Constatamos, portanto, que em sessenta anos, os assentamentos urbanos foram ampliados de forma a abrigar mais de 125 milhões de pessoas nos aglomerados urbanos.

Entender a questão da moradia na sociedade capitalista significa desvendar também as contradições inerentes ao acesso à moradia. Tal entendimento deve, antes de qualquer coisa, procurar desvendar o significado da terra, isto é, de um bem natural que não pode ser reproduzido e, assim sendo, não pode ser criado pelo trabalho. Portanto o fato de alguém trabalhar na terra não significa dizer que vai produzi-la, isso porque as edificações sobre ela são produtos do trabalho, mas ela não o é. Para Tolosa (1978, p.16), “na sociedade capitalista a terra é, também, uma espécie de capital, que está se valorizando. É na verdade um falso capital, porque é um valor que se valoriza, mas a origem de sus valorização não é a atividade produtiva, investe-se capital – dinheiro em terra e espera-se a sua valorização”.

Portanto devemos pensar a terra como um equivalente do capital, que se valoriza sem trabalho, sem uso. Além de uma falsa mercadoria, ela também se apresenta como um falso capital. A valorização da terra acontece graças à monopolização do acesso a esse bem de extrema necessidade à sobrevivência, que, diante da realidade capitalista, torna-se caro e escasso (Tolosa, 1978).

Diferentemente do mercado de compra e venda de outras mercadorias, no mercado de terras, a lei da oferta e da procura não funciona da mesma forma; ela só funcionava quando novos terrenos entram no mercado de terras. Na expansão do perímetro urbano ou dos loteamentos de glebas, o preço da terra, no geral, aumenta e não diminui. Isso porque essas novas áreas que são incorporadas nem sempre contam com uma infra-estrutura básica. Tal fato gera uma ampliação do valor nos terrenos que já estão disponíveis e que, por sua vez, se encontram em áreas que já possuem essa infra-estrutura. Desse modo, o preço da terra é definido segundo a localização dos terrenos, que, embora com dimensões semelhantes, possuem preços diferentes. Essa diferenciação proporciona ao dono da terra uma renda extra, propiciada pela produção social.

Diante dessa realidade, o preço da terra, enquanto mercadoria sem valor constitui uma renda, ou seja, parte do valor de troca, que se destina ao proprietário. A renda constitui um tributo que se paga ao proprietário da terra e que resulta do monopólio da terra por uma classe ou fração de classe.

Assim sendo, solucionar o problema da moradia no Brasil, ou em qualquer país de economia capitalista subdesenvolvida, não é uma tarefa fácil. Isso porque, no mundo capitalista, a terra, mesmo não sendo uma mercadoria produzida socialmente, tem um preço e confere ao seu dono o direito de auferir uma renda por posse. Assim, para se produzir uma casa para morar, é necessário, antes de tudo, que se tenha a propriedade do solo. Não pode ser ignorado que, em virtude da sua condição de mercadoria, a terra passa a ser monopolizada por aqueles que têm dinheiro para comprá-la.

AUTORES: RITA DE CÁSSIA DA CONCEIÇÃO GOMES
AMIERES BARBOSA DA SILVA
VALDEMILDO PEDRO DA SILVA
UFRN,BRASIL.

sábado, 23 de agosto de 2008

DISCRIMINAÇÃO


PRECONCEITO, RACISMO E DISCRIMINAÇÃO SOCIAL



O Estado brasileiro foi constituído a ,partir de diferentes matrizes étnicas e culturais, formando, assim, uma sociedade multicultural. As desigualdades sociais, construídas historicamente com base na exploração econômica, violência e escravidão gerou um modo de pensar e agir desiguais.

Várias são as incompreensões existentes entre os termos Preconceito, Racismo e Discriminação.

O documento Brasil, Gênero e Raça, lançado pelo Ministério do Trabalho, define:

Racismo – "a ideologia que postula a existência de hierarquia entre grupos humanos";

Preconceito - uma indisposição, um julgamento prévio negativo que se faz de pessoas estigmatizadas por estereótipos";

Estereótipo - "atributos dirigidos a pessoas e grupos, formando um julgamento a priori, um carimbo. Uma vez ‘carimbados’ os membros de determinado grupo como possuidores deste ou daquele ‘atributo’, as pessoas deixaram de avaliar os membros desses grupos pelas suas reais qualidades e passam a julgá-las pelo carimbo";

Discriminação – "é o nome que se dá para a conduta (ação ou omissão) que viola direitos das pessoas com base em critérios injustificados e injustos, tais como: a raça, o sexo, a idade, a opção religiosa e outros".

Racismo é crime inafiançável e imprescritível.(Art. 5.º, XLII, CF).

Segundo a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. A Carta diz, também, que constituem princípios fundamentais da Republica Federativa do Brasil o de promover o bem comum, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade ou quaisquer outras formas de discriminação."Cláudio Melo-Inclusive origem social.".

Dentre os crimes resultantes de preconceitos de raça ou de cor, punidos pela lei (Leis N.º 7.716/89 e 9.459/97), estão os seguintes:

1 – Impedir ou obstar o acesso de alguém, devidamente habilitado, a qualquer cargo da Administração Pública, bem como negar ou impedir emprego em empresa privada.

2 – Recusar, negar ou impedir a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino público de qualquer grau;

3 – Impedir o acesso ou recusar o atendimento nos seguintes locais: a) restaurantes, bares e confeitarias; b) estabelecimentos esportivos, casas de diversões e clubes sociais abertos ao público; c) hotéis, pensões e estalagens;

4 – Impedir o acesso às entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e respectivos elevadores ou escadas de acesso.

FONTE:dhnet.org.br